Curiosidades

 

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Curiosidades geográficas sobre a Itália

 

A agricultura é muito importante na economia italiana. Os principais produtos são azeitonas, frutas cítricas e, vinho.A melhor região fazendeira é o Vale do Pó,ao Norte .

O sudeste da Itália sempre sofreu por causa da altitude e de pouca chuva, mas devido à irrigação,e,aos meios mais modernos utilizados nas fazendas,a agricultura vem melhorando desde 1950.

Diz-se que o explorador Marco Polo foi quem levou a receita da massa de macarrão para a Itália,quando retornava de sua viagem para a China.Desde então se tornou um dos pratos mais populares do mundo

A cidade histórica de Veneza está construída em ilhas sobre uma lagoa superficial. Muitas das construções são feitas sobre a lama. O futuro de Veneza está condenado ao “afogamento”,e,à poluição.

Os romanos eram ótimos engenheiros e muitas de suas maravilhosas construções sobrevivem até hoje.

O sistema de rodagem da Itália também foi construído pelos romanos.

 

Barragem de Vaiont

 

Com 252 m de altura,localizada no rio Vaiont,um tributário do rio  Piave ,em Veneza,NE da Itália,perto de Belluno.

È uma das mais altas barragens do mundo,foi concluída em 1961,com a finalidade de geração de energia elétrica.Depois de pesadas chuvas em 1963, um grande acúmulo de terra dentro de seu reservatório causando o vazamento de água para fora da represa,inundando a vila de Longarone ;2.000 pessoas morreram.

1. Enquadramento

O rio Vaiont (ou Vajont) é um afluente do rio Piave (do latim Plavis = bater ruidosamente), localizado no nordeste de Itália  que nasce nos Alpes Italianos (na região das Dolomites, assim designada pela abundância de dolomite que aí existe) e deságua no Mar Adriático, próximo da cidade de Veneza. A bacia hidrográfica do Piave está muito intervencionada, principalmente com sistemas de irrigação, na parte inferior, correspondente a uma planície aluvial, e com aproveitamentos hidrelétricos, na parte superior, montanhosa.

O vale do Vaiont, situa-se próximo da fronteira com a Áustria e com a Eslovênia, a cerca de 100km a norte de Veneza. Trata-se de um vale profundo e apertado, isto é, uma verdadeira garganta em que, consequentemente, as condições fisiográficas são muito propícias à construção de uma barragem. Devido a tais condições, na transição das décadas de 50 para a de 60 do século XX, foi aí efetivamente construída uma grande barragem destinada à produção de energia elétrica, que ficou conhecida por barragem de Vaiont.

A área é geologicamente caracterizada por litologias carbonatadas intercaladas com areias e argilas. Existem dois sistemas principais de fraturas, um paralelo e outro perpendicular aos planos de estratificação. 

Especificamente no vale onde foi edificada a barragem a estrutura geológica (fig. 3) corresponde a um sinclinal cortado pelo rio. As formações dominantes são carbonatadas, do Jurássico Inferior e Médio (Lias, Dogger), a que se sobrepõem calcários mais argilosos do Jurássico Superior (Malm). Sobre este conjunto dispõem-se terrenos do Cretácico e do Terciário, caracterizadas por litologias mais detríticas, com maiores conteúdos argilosos e, por conseqüência, menos resistentes. A s vertentes do vale têm, em geral, pendores muito elevados, chegando a ser quase verticais.
 

 

 

 2. Movimentos de massa antecedentes 

Na região, a documentação histórica que alude a movimentações de massa é relativamente abundante. A título de exemplo refere-se o que ocorreu nas proximidades de Belluno (a SW de Vaiont), e que destruiu a ponte que dava acesso à cidade. 

As cedências das vertentes do Monte Antelao (a NNW de Vaiont) são repetidamente referidas na documentação, tendo atingido, provavelmente, maior amplitude, as que ocorreram em 1347, em 1737, em 1814 e em 1868, em que as localidades de Sala, Taolen e Marceana, entre outras, sofreram grandes danos. Só no último evento aludido verificou-se a destruição de 70 habitações e a morte de 300 pessoas e de 400 animais domésticos, tendo centenas de hectares de terreno cultivado ficado cobertos pelos materiais então mobilizados.

Com freqüência, a geomorfologia da região está muito marcada por estes movimentos de massa. É o que se verifica, por exemplo, no Lago Alleghe (situado a NW de Vaiont, no rio Cordevole, que é afluente do Piave), que se constituiu em 1771, na seqüência da cedência de uma vertente do Monte Spiz, cujos materiais sepultaram as aldeias de Ariete, de Fucine e de Merin, causando 70 vítimas, e interromperam o curso do rio.

Estas movimentações são freqüentes, também, noutras zonas próximas, como no vale do S. Lucano, onde há notícia da ocorrência de eventos destrutivos em 1748 e em 1908. Em 1925 verificou-se, aí, nova cedência, cujos materiais destruíram o centro de Prà e de Lagunaz, tendo provocado 28 mortos e uma dezena de feridos.

Mesmo no vale do Vaiont existem indícios geológicos e geomorfológicos claros de antigas cedências de vertentes, sendo nítida a cicatriz de uma movimentação de massa, situada nas proximidades do local onde se erigiu a barragem, mas de  mas de que não se conhece a idade.

 

 

3. Construção da barragem de Vaiont

Embora a idéia de construir uma barragem no vale do Vaiont fosse já antiga, tendo sido inicialmente proposta na segunda década do século XX, a solicitação oficial para concretização do projeto foi apresentada pela SADE (Società Adriatica di Elettricità) em 22 de Junho de 1940 (em plena II Guerra Mundial).

Fazia parte de um projeto mais vasto que tinha como objetivo a implementação de uma cascata de barragens nesta parte da bacia do rio Piave.

Efetivamente, o crescimento do consumo de eletricidade impunha que se aumentasse significativamente a produção de energia elétrica na região.

Tal ficou bem expresso em declarações da SADE, nessa altura, quando afirmava que "... só no último ano o consumo de energia de Veneza e do porto industrial de Maghera ultrapassou o meio milhar de KWh, isto é, um terço de toda a energia produzida na região, verificando-se tendência para que, no futuro próximo, haja um crescimento rapidíssimo devido à demanda da indústria aqui instalada".
Na década de 40 foram apresentados, pelas comunidades locais, vários protestos, de que são exemplo os de Longarone (preocupada com o desvio da corrente e eventual erosão de terrenos agrícolas) e o de Erto Casso (que lamentava a perda de terrenos férteis).

O projeto obteve completa aprovação apenas em 6 de Julho de 1957, embora, na prática, a SADE tenha iniciado os trabalhos de escavação (embora sem as necessárias autorizações) em Setembro de 1956.

Em Setembro de 1959 a barragem estava já praticamente edificada (embora faltassem os trabalhos complementares), tendo o paredão 261,60m de altura, e espessura de 22,11m na base e 3,40m no topo, sendo, na altura, uma das barragens mais altas do mundo. O coroamento, localizado à altitude de 725,50m, tinha 190,15m de comprimento. Nos trabalhos de construção foram escavados 760000m3 de materiais, dos quais 400000m3 eram rocha firme.

À medida que se ia construindo a barragem e que a albufeira começava a armazenar quantidade significativa de água, perturbando o equilíbrio dos níveis freáticos, começaram a ocorrer alguns movimentos de massa com pequena amplitude, pelo que se implementou um esquema contínuo de monitorização. De 1960 a 1963 verificou-se, na encosta sul, uma reptação de menos de 1cm/semana que foi progressivamente aumentando até atingir mais de 30 cm/semana.

 

Projeto do esquema funcional da barragem de Vajont.

Projeto do sistema Piave - Boite - Maè - Vajont  1940.

 

Vista do núcleo urbano de Longarone, duramente atingido pela catástrofe, localizado na margem direita do rio Piave, quase em frente do local onde o Vaiont, afluente da margem esquerda, deságua.

Vista da vertente direita do Monte Toc, que haveria de ceder após a construção da barragem.

 

Aspecto dos trabalhos de construção da barragem

Aspecto da barragem durante a construção, vendo-se já a albufeira a começar a encher.

 

O vale do Vaiont antes da barragem, numa perspectiva conhecida como "das 3 pontes".

Vista da parte frontal da barragem de Vaiont

Vista (de jusante para montante) da barragem de Vaiont.

 

4. Prenúncio da catástrofe

                         

•          O 1º Enchimento da Albufeira

Em Outubro de 1959 a SADE (Società Adriatica di Elettricità) solicitou autorização para encher pela primeira vez a albufeira da barragem de Vaiont até à cota 600m, o que, perante a demora da resposta, começou a fazer em 2 de Fevereiro de 1960. A autorização foi dada uma semana após, embora apenas até à cota 595m.

Em Março de 1960, em plena fase de enchimento da Albufeira, e certamente devido a alteração dos níveis freáticos, ocorreu uma pequena movimentação de massa que passou quase desapercebida.

Sem ter em consideração o pequeno movimento de massa que tinha ocorrido em Março na vertente esquerda da albufeira, em Maio é apresentada nova solicitação para elevar o plano de água até à cota 660m.

Devido à elevação dos níveis freáticos causada pelo enchimento da albufeira (e pela precipitação que entretanto se registrava) as movimentações por reptação intensificaram-se , atingindo quase 4cm/dia.

Mais ou menos na mesma altura foi descoberta, na encosta norte do Monte Toc, uma fenda maior (fig. 14), com comprimento superior a 2500m. Iniciava-se à cota 1030m e subia progressivamente até à cota 1360, após o que descia até aos 930m, subindo novamente até aos 1200m, e baixava, outra vez, até aos 800m, desenhando no terreno a forma de um grande "M".

•          A Movimentação de Novembro 1960

A 4 de Novembro de 1960 verificou-se nova cedência da vertente, desta vez com maior amplitude. Ocorreu a uns 600m do paredão da barragem, nas imediações da localidade de Piano della Pozza, tendo mobilizado cerca de 800000m3 de material.

Ao penetrar na albufeira gerou uma onda ("spash") com 2 metros de altura que, ao embater no paredão da barragem, atingiu os 10 metros. No entanto não provocou danos nem na barragem, nem na periferia da albufeira. Efetivamente, na altura, o plano de água estava à cota 650m, muito abaixo da cota máxima de segurança (cerca de 720m). A duração total do evento foi da ordem de 10 minutos.

A frente desta movimentação tinha 1,8km. Pelos dados disponíveis pode conclui-se que foi, principalmente, do tipo rotacional. Mobilizou, essencialmente, uma camada de materiais incoerentes (solo e rególito) com cerca de 200m de espessura existentes na vertente onde está instalado o Ribeiro de Massalezza. Há indicações de que a parte inferior, sobranceira à albufeira, se movimentou com maior velocidade. Assim, é provável que a cedência desta parte inferior tenha induzido a cedência da parte superior da vertente.

•          O 1º Esvaziamento da Albufeira

Perante o perigo do reservatório poder ficar cortado em dois na seqüência de uma cedência da vertente, o que criaria grandes dificuldades não só no que se refere à produção de eletricidade, mas também caso de ocorressem cheias, decidiu-se construir uma galeria de derivação na margem direita do fundo do vale. Tal permitiria assegurar a ligação das partes extremas da albufeira viabilizando, assim, quer a continuação da produção de eletricidade, quer a vazão das águas caso se verificassem afluências excepcionais e a drenagem superficial fosse dificultada.

Na seqüência desta decisão o nível da água na albufeira foi muito rebaixado por forma a viabilizar a construção da aludida galeria de escoamento. Como resposta a este rebaixamento do plano de água a velocidade da reptação diminuiu de forma muito significativa, passando da ordem de centímetros por dia para apenas alguns milímetros por dia e, com a a continuação do esvaziamento da albufeira, a deslocação tornou-se quase insignificante, ou seja, inferior a 1mm/dia.

•          O 2º Enchimento da Albufeira

Terminados os trabalhos, iniciou-se novo enchimento da albufeira, agora em condições bastante controladas e com contínua monitorização das movimentações de massa na encosta. A cota 655m foi atingida a 28 de Fevereiro de 1962. A análise dos resultados da monitorização permitiu concluir que era pouco provável verificar-se um colapso na vertente do Monte Toc, e que a vertente instabilizada acabaria por estabilizar com o tempo.

No início de Março a empresa solicitou o enchimento da albufeira até à cota 700m, referindo-se, nessa solicitação, que "... no que se refere às movimentações na vertente do Monte Toc confirma-se, como é demonstrado pelo diagramas anexos, que o movimento apresenta tendência para parar. Consequentemente, a situação é tranqüila; as movimentações são insignificantes ...". A cota 690m é atingida sem que se verifiquem movimentações de massa.

Porém, em Outubro de 1962, recomeçaram os movimentos na vertente, ainda que apresentassem velocidades muito inferiores às verificadas em Novembro de 1960. Como medida de precaução baixou-se o nível de água na albufeira, sendo os movimentos quase imperceptíveis quando esse nível ficou inferior à cota 650m.

Entretanto, o Decreto Presidencial de 12 de Dezembro de 1962,estipula que a empresa estatal ENEL deveria controlar todas as atividades relacionadas com a energia elétrica, da produção à venda. Em conseqüência desta decisão a SADE (Società Adriatica di Elettricità) foi, de certa forma, nacionalizada, sendo absorvida pela ENEL, a qual tomará conta da barragem de Vaiont apenas a 27 de Julho do ano seguinte.

A 20 de Março de 1963 á apresentada solicitação para encher a albufeira até à cota 715m, isto é, até poucos metros da sua capacidade máxima. Porém, apenas a 4 de Setembro é que é atingida a cota 710m (10m abaixo da cota máxima de segurança), a qual deveria ser mantida durante todo esse mês.  

 

Vista de uma das fissuras que apareceram nas vertentes da albufeira criada pela barragem.

 

Vista da vertente que cedeu em 4 de Novembro de 1960.

 

Vista da albufeira de Vaiont com indicação dos locais onde se verificou cedência das vertentes.

 

Aspecto da paisagem de uma fase de enchimento da albufeira criada pela barragem.

 

Todavia, nessa altura, os níveis freáticos, que estavam bastante altos, continuavam a subir (fig. 19), atingindo níveis preocupantes, o que era atribuído à precipitação atmosférica. A velocidade da reptação na vertente do Monte Toc estava, também, a aumentar, embora, segundo a empresa que geria a barragem, não expressasse valores alarmantes. Porém, a 15 de Setembro, descobre-se nova fissura na vertente do Monte Toc, e constata-se que a longa fenda em forma de "M" se tinha acentuado significativamente. A inclinação apresentada por árvores e estruturas existentes na vertente era, nessa altura, bastante evidente.

O 2º Esvaziamento da Albufeira 
A 27 de Setembro decidiu-se baixar o nível da água na albufeira, o que foi efectivado a partir de Novembro de 1962, inicialmente, de forma lenta, e depois de modo cada vez mais rápido. Após 4 meses o nível da água tinha baixado 185 metros.

Apesar deste rebaixamento do nível da água na albufeira, inicialmente as velocidades de reptação não diminuíram de forma significativa (fig. 19). Todavia, à medida que o nível da água continuava a baixar, o ritmo de movimentação começou a abrandar até que, em Abril de 1963, quando a cota do plano de água era da ordem de 660m, deixou virtualmente de se verificar qualquer movimento.

 

Precipitação, nível de água na albufeira, velocidades de movimentação e dados piezométricos na vertente do Monte Toc.

 


A experiência adquirida com os sucessivos enchimentos e esvaziamentos da albufeira tendia a confirmar que era possível controlar os movimentos da vertente através da alteração dos níveis do plano de água. Consequentemente, decidiu-se voltar a encher a albufeira. 
O 3º Enchimento da Albufeira 
Entre Abril e Maio de 1963 o nível da água na albufeira subiu rapidamente. Nesse período verificou-se que a velocidade de reptação na vertente do Monte Toc aumentou, não ultrapassando, no entanto, os 0,3cm/dia. Com a continuação do enchimento do reservatório, em Junho a reptação intensificou-se um pouco, atingindo velocidades de 0,4cm/dia, que aumentaram para 0,5cm/dia em Julho.

Em grande parte do mês de Agosto o nível da água da albufeira manteve-se aproximadamente estacionário. Todavia, a velocidade da movimentação continuou a aumentar, atingindo 0,8cm/dia em meados de Agosto. No início de Setembro, nalgumas partes da vertente instabilizada, a deslocação atingia 3,5cm/dia.

O 3º Esvaziamento da Albufeira 
Perante os aumentos dos ritmos de instabilidade da vertente, e no sentido de controlar as velocidades de deslocação, decidiu-se, no início de Setembro, proceder a algum esvaziamento da albufeira. Efetivamente, as experiências anteriores pareciam indicar que, através do abaixamento do nível da água do reservatório era possível amortecer as razões de movimentação na encosta.

Porém, a velocidade de reptação no Monte Toc continuou, ininterruptamente, a aumentar: 6,5mm no dia 2 de Setembro; 12mm no dia 15; 22mm no dia 26; 40mm no dia 3 de Outubro; 200mm no dia 9 de Outubro ...

A 6 de Outubro a estrada periférica da albufeira está, nesta zona, quase intransitável. Um funcionário do organismo responsável pelas estradas, que nesse dia efectuou uma visita de trabalho a Pineda descreveu a situação nos seguintes termos: "... a estrada está cheia de fendas de tal modo que essas depressões comprometem a passagem. A via já não parece uma estrada mas sim um campo lavrado ...". 

No dia 7 são descobertas novas fissuras no lado esquerdo da vertente do Monte Toc, paralelas à margem da albufeira, as quais chegavam a ter um metro de largura e dez de comprimento. Perante tais sinais, decidiu-se a evacuação das casas localizadas na vertente do Monte Toc, à exceção das de Pineda, Prada e Liron.

Pela hora de almoço do dia 8 de Outubro (véspera da grande movimentação de massa) abre-se nova fenda, desta vez nas instalações dos operários, com 5 metros de comprimento e 50cm de largura. A fenda alargou-se rapidamente e, passadas 3 horas tinha já quase meio metro. Outras notícias tendiam a confirmar que a situação era preocupante: árvores que se inclinavam progressivamente e acabavam por cair, fendas que se alargavam meio metro em apenas uma hora, etc.

 

A albufeira de Vaiont numa das fases de enchimento.

 

Longarone, na margem do rio Piave, antes da catástrofe.

 

Vista aérea da barragem de Vaiont e da respectiva albufeira. Foi a vertente que se vê no lado direito da fotografia que cedeu em Novembro de 1963.


 5. A Catástrofe 

Como se referiu, nos dias 8 e 9 de Novembro de 1963, e apesar de se estar numa fase de rebaixamento do nível da albufeira (para tentar controlar a velocidade de reptação), as expressões da instabilidade da vertente setentrional do Monte Toc, na margem esquerda da albufeira de Vaiont, atingiram níveis sem precedentes: fissuração na encosta (que chega a surgir em instalações dos operários), velocidades de reptação que aumentavam rapidamente, atingindo mais de dez centímetros por dia, etc. 

Ás 22:39 do dia 9 de Novembro de 1963 verificou-se cedência muito rápida da vertente, e uma massa enorme de materiais incoerentes (solo, rególito, etc.), juntamente com as árvores da floresta, os campos agrícolas e as casas que aí existiam, desceu a encosta com velocidade elevada e penetrou subitamente na albufeira da barragem. A 

O ruído foi ensurdecedor e a estação sísmica existente nas instalações da barragem registou, na altura, um abalo sísmico fortíssimo. A zona movimentada, com área de quase 3km2, tinha 1,8 km de comprimento, 1,6km de largura, e cerca de 150m de espessura. Foram mobilizados cerca de 270 milhões de metros cúbicos de material. Embora a velocidade média de deslocação tenha sido, segundo as diferentes estimativas, de 72 a 90km/h, é possível que, ao penetrar na albufeira, a velocidade tenha atingido os 110km/h. 

A súbita penetração de tão grande massa no reservatório provocou a deslocação de mais de 50 milhões de m3 de água, o que gerou uma onda ("splash") de grande altura (cerca de 250m) que, segundo o sentido da propagação, se pode considerar que atuou como 3 grandes ondas. 

Uma atacou a vertente oposta, onde se localiza Casso (a mais de 960 metros de altitude, ou seja, mais de 250m acima do plano de água, que se encontrava, na altura, a 700,42 m), onde cobriu as casa situadas na parte mais baixa mas sem provocar conseqüências mais graves.

Outra das ondas propagou-se para montante da albufeira, onde o vale do Vaiont é mais largo, o que provocou o abaixamento da altura da onda, o que evitou que Erto fosse atingida. Porém, mesmo assim, flagelou as aldeias de Frasegn, Le Spesse, Cristo, Pineda, Ceva, Prada, Marzana et San Martino, provovando 158 mortos.

 

Vista, de montante para jusante, da área afetada pela movimentação.

 

Vista aérea da barragem de Vaiont e áreas circundantes no dia seguinte à tragédia.

 

Mapa de localização da barragem de Vaiont com indicação das principais áreas afetadas.

 

Fotografia recente da área, tirada de Casso. Vê-se bem o paredão da barragem (visto de montante). A vertente do outro lado do vale foi a que cedeu, sendo visível, na parte superior, a cicatriz da movimentação e, na inferior, a massa movimentada. Note-se a diferença de altitude entre a barragem e Casso (onde houve casas cobertas pela água).

 

Aspecto da povoação de Pirago após a catástrofe. Apenas o campanário permaneceu de pé.

 

Vista de Longarone no dia seguinte à catástrofe

Aspecto da destruição

 

Vista de Longarone no dia seguinte à catástrofe.

 


Uma outra onda propagou-se para jusante, galgando o paredão da barragem, e propagou-se com grande velocidade e altura na parte inferior do estreito vale do Vaiont, penetrando com grande energia no vale do rio Piave. Pode afirmar-se que esta grande onda (com mais de 50 milhões de m3) apenas provocou danos menores na barragem, tendo a infra-estrutura permanecido intacta, o que atesta a qualidade da construção. Ainda assim, arrasou parte do coroamento, tendo desaparecido cerca de um metro da parte superior, verificando-se, neste processo, a demolição do edifício de dois andares da central e das instalações dos operários, tendo perecido as 54 pessoas que aí permaneciam. .. 
Na parte terminal do vale do Vaiont a onda tinha 70m de altura e deslocava-se com grande velocidade, sendo acompanhada por uma nuvem formada pelas gotas de água atomizadas pela elevada turbulência do fluxo. Tal frente líquida de grande altura (como se fosse uma parede em movimento muito rápido) provocou, no ar, uma grande onda de choque, que acabou, também, por provocar danos significativos.
As localidades situadas nas margens do Piave, a altitudes mais baixas, a começar por Longarone, foram completamente devastadas. As linhas férreas da estação de Longarone foram arrancadas e dobradas várias vezes. 
Cerca de 80% das vítimas mortais (1450) causadas por este evento estavam em Longarone e nas comunidades vizinhas de Rivalta, Pirago, Faè e Villanova. 552 das 1225 habitações que aqui existiam foram destruídas, sendo a mais flagelada a localidade de Pirago-Rivalta onde, das 159 casas existentes, nenhuma resistiu ao impacte da onda. Das 372 casas que havia no núcleo urbano de Longarone, apenas 11 sobreviveram.
Várias outras localidades foram inteira ou parcialmente destruídas, designadamente Rivalta, Pirago, Faè, Villanova e Codissago (que foi a mais atingida, tendo-se registrado aí 109 mortes). Em Pirago apenas o campanário ficou de pé. 
Ao subir as encostas marginais do Piave o fluxo perdia velocidade e iniciava-se o refluxo, gerando-se uma onda refletida que se propagava em sentido contrário ao da principal e acabava por atingir, novamente, áreas já varridas pela onda inicial. 
O fluxo do rio Piave só voltou às condições normais passadas mais de dez horas.
Oficialmente, a tragédia saldou-se em 1917 mortos e um número quase insignificante de feridos.

6. Conclusões 
A tragédia de Vaiont foi causada, obviamente, pela grande movimentação de massa e pela onda que gerou na albufeira e rapidamente se propagou para montante e, galgando a barragem, desceu o vale. Devido às margens escarpadas do Vaiont, os danos provocados neste vale foram relativamente limitados. Porém, quando a onda atingiu o vale do rio Piave, cujas margens são mais suaves e a ocupação humana aproveitou as zonas de acumulação, mais baixas e mais aplanadas, a destruição atingiu grande amplitude. Nalgumas povoações praticamente nada ficou de pé. O número de mortes foi elevada.
A zona de Langarone, localizada na margem direita do Piave, quase frente ao oocal onde o Vaiont aflui ao rio principal, estava situada numa área extremamente vulnerável a este evento e, consequentemente, foi a mais massacrada. Cerca de 80% das mortes ocorreram na zona de Langarone.
Alguns danos (menores perante a dimensão da catástrofe) foram induzidos pela deslocação do ar (onda de choque) provocada pela rápida propagação da onda de água com grande altura.
Se é importante conhecer em pormenor as causas imediatas da tragédia, é provavelmente mais relevante saber quais foram as causas mais remotas, ou seja, aquelas que verdadeiramente conduziram à catástrofe. Como acontece frequentemente, não é possível identificar uma causa única. Pelo contrário (e tal acontece, também, com freqüência), identificam-se vários fatores cuja convergência conduziu a este acontecimento catastrófico.

 

Vista recente da albufeira de Vaiont, de montante para jusante. Note-se o que resta da parte montante da albufeira e, ao longe, o grande depósito de material que se deslocou da vertente esquerda, podendo ainda ver-se (ainda que não de forma muito clara nesta fotografia) a cicatriz da cedência.

 

 

Vista recente do local onde ocorreu a movimentação de massa. É bem visível a cicatriz da cedência. O monte em primeiro plano corresponde a material movimentado durante o evento.


Entre os fatores aludidos inclui-se o estudo geológico prévio da zona montanhosa onde se viria a instalar a albufeira da barragem. Aparentemente este estudo foi bastante deficiente. O fato de, na fase de construção, se ter efetivamente encontrado muito mais material rochoso alterado do que o que se esperava parece confirmar tal fato. Aliás, um dos problemas que surgiu durante a construção foi a quantidade de betão que foi preciso utilizar, pois que foi preciso consolidar a camada de rocha alterada, e a fissuração existente obrigou a aplicar muito mais cimento do que o que inicialmente se previa.
Havendo indícios claros de antigas cedências de vertentes, designadamente na margem direita da albufeira (oposta aquela em que ocorreu a movimentação de massa, e onde se situa a localidade de Casso), a hipótese da elevação dos níveis freáticos poder vir a instabilizar algumas vertentes deveria ter sido considerada de modo muito aprofundado. 
Sabe-se hoje que o deslizamento ocorreu devido à existência de camadas finas de argila (com 5cm a 15cm de espessura) intercaladas nas bancadas de calcário. Embora a existência de argilas intercaladas nos calcários fosse já detectada nos estudos geológicos iniciais, aparentemente não lhes foi dedicada a devida atenção. Segundo alguns autores, esta movimentação de massa mais não foi do que a reativação de um antigo deslizamento. 
O aumento do nível da água no reservatório provocou o aumento quer o teor de água, quer da pressão intersticial nas camadas de argila, o que diminuiu a resistência às tensões cizalhamento (ou de corte). Como a estratificação tem atitude análoga à da vertente, a carga exercida pelas bancadas calcárias nos leitos argilosos tem componente cizalhante forte, e a diminuição da resistência destas propicia movimentações. 
Tudo indica que, após o primeiro enchimento da albufeira e posterior rebaixamento do nível de água no reservatório, se teve consciência da situação. Porém, principalmente após o 2º enchimento, pensou-se que se poderia controlar a movimentação através da regulação dos níveis da albufeira. Sabe-se atualmente que tal conclusão estava errada. O rebaixamento do nível hídrico na albufeira induz pressões hidrostáticas que aumentam as tensões, pois que a água acaba por ser drenada através da fissuração dos calcários. Por outro lado, as modificações do nível da albufeira e conseqüentes variações de pressão (e do teor em água) nos leitos argilosos teve, provavelmente, como conseqüência, modificação do fabrico destas, o que acabou por induzir tensões suplementares.
É, também, de considerar os interesses econômicos em jogo. Tinha-se efetuado um grande investimento e era preciso rentabilizá-lo o mais depressa possível. O fato de ser ter construído a galeria de derivação na margem direita do fundo do reservatório constituiu um investimento suplementar, mas que demonstra que havia consciência da possibilidade de ocorrer uma grande movimentação de massa que poderia diminuir a capacidade do reservatório e, pior ainda, dividir este em duas partes. O investimento suplementar aludido era a garantia da rentabilidade do investimento inicial. Todavia, havia que não alarmar a sociedade. Consequentemente, foram bastantes as mensagens de tranqüilidade, e de que a situação estava controlada, ao mesmo tempo que se seguia uma política de confidencialidade e de segredo, o que é relativamente comum no meio empresarial mas que, por vezes, como aconteceu neste caso, culmina em tragédia... .. 
Não só a velocidade de reptação estava consistentemente a aumentar, atingindo velocidades alarmantes, como começaram a aparecer fendas que rapidamente alargavam. Muitos foram os alertas dados por elementos da população e por profissionais que visitavam a região (designadamente de responsáveis pelas estradas). Todavia, no que se refere à segurança das populações, nada foi feito. Não se procedeu a evacuações da população (excetuando a área da vertente mais instabilizada).
Os indícios parecem claros: os gestores da barragem sabiam que a vertente do Monte Toc estava instabilizada e que poderia ocorrer uma rápida movimentação de massa a qualquer momento. Aliás, a tentativa de rebaixar o nível de água na albufeira comprova isso mesmo, embora houvesse a esperança de que tal rebaixamento pudesse evitar a continuação do aumento de velocidade da reptação e, consequentemente, inibir colapso rápido da vertente instabilizada. O que nunca passou pela cabeça dos gestores foi que a movimentação de massa atingisse tão grande amplitude, e que o "splash" gerado pela penetração na albufeira provocasse uma onda tão destruidora e mortífera.
De forma resumida pode afirmar-se que a catástrofe foi induzida por três causas principais: a) conhecimento científico insuficiente, principalmente no que se refere à geologia; b) prevalência dos interesses econômicos sobre a análise de vulnerabilidade e eriscos; c) não obediência ao "Princípio da Precaução". 
Após a catástrofe houve apuramento de responsabilidades e o caso foi julgado em tribunal. Três engenheiros (Alberico Biadene, diretor da companhia de construção hidráulica; Curzio Batini, funcionário público que testou a barragem; e Almo Violin, director do departamento de engenharia civil da barragem) foram condenado a 6 anos de prisão.
A barragem existe ainda, embora a quantidade de eletricidade que produz seja bastante pequena (até porque a capacidade do reservatório foi extremamente diminuída).

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Para saber mais acesse:

https://italianfood.about.com/b/a/033277.htm

 

Maiores Barragens do Mundo-(Em altura do Dique )

 

 

 

Barragem

Rio

País

Altura (m)

Ano

Rogun

Vakhsh

Tadjiquistão

335

1985

Nurek

Vakhsh

Tadjiquistão

300

1980

Xiaowan

Lancang

China

292

Em construção

Grande Dixence

Dixence

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Inguri

Inguri

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1984

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México

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1981

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