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População: 3.527.303 hab
Superfície : 22993 km2
Capital: : Florença (FI)
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Províncias-10 |
Comunas-287 |
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Florença (FL) |
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Arezzo (AR) |
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Grosseto (GR) |
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Livorno (LI) |
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Lucca (LU) |
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Massa -Carrara (MS) |
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Pisa (PI) |
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Pistoia (PO) |
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Prato (PT) |
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Siena (SI) |
A Região de Toscana tornou-se uma identidade política, quando já o era geográfica e culturalmente, a partir do século XV, quando Florençainiciou a sua expansão com a aquisição de Pisa em 1405 e de Livorno em 1421. Siena juntar-se-lhes-á em 1555.
Habitada pelos Etruscos, liga-se definitivamente a Roma em finais do século IV a.C.. O seu nome Toscana, provém de "Tusci", ou tuscos, nome que se aplica também aos etruscos. Pela sua posição geográfica terá certamente vivido de muito perto as convulsões que agitaram a República Romana, depois o Império Romano e ainda os reinos dos Bárbaros.
Os Carolíngios ocuparam esta região em 774, que ficou sob a posse dos Condes de Luca (mais tarde, marqueses da Toscana). Estes, bastante influentes na vida política peninsular, ao ponto de interferirem com as eleições papais, terminaram a sua dinastia com a condessa Matilde, que legou o território em testamento à Santa Sé. O Império germânico, então em luta contra os Estados Pontifícios, negará a validade desse testamento. A coberto destas lutas, a Toscana vê as suas principais cidades a emanciparem-se e a reclamar independência. Com a luta entre guelfos e gibelinos, Luca, Pisa e Pistóia ficarão do lado dos primeiros e Florença pelos segundos. Se Pisa era então a cidade mais influente da Toscana, a sua sorte modifica-se em 1284, com a Batalha de Meliora, que marca a ascensão de Florença. Esta cidade alargará a sua influência, sucessivamente, entre as cidades de Pistóia (1301), Volterra (1361), Arécio, (1384) e Pisa, em 1405. Luca e Siena manter-se-ão independentes.
Pouco a pouco, a Toscana passa para as mãos dos Médici, de Florença. Estes chegaram ao poder em 1421. Afastados por duas vezes (de 1495 a 1512 e de 1527 a 1530), conseguiram sempre retomar o poderio da cidade e da região. O Ducado de Florença é criado por Carlos V, em 1531, a pensar em Alexandre de Médici ("il Moro"). Cosimo I de' Medici, filho de Giovanni dalle Bande Nere, torna-se duque em 1537 e, com a aquisição de Siena, em 1559, sob a paz de Cateau-Cambrésis, nasce o Grão-ducado da Toscana. Em 1569, os membros da família recebem o título de grão-duques da Toscana, por decisão do papa Pio V.
Cosimo morre em 1574, continuando a sucessão da família Médici até Gian Gastone (1723 - 1737), com a morte do qual, sem herdeiros, o Grão-ducado passa para a família de Lorena. Estanislau Leszczynksi ficara com o território de Lorena e a Toscana foi dada a Francisco Estêvão de Lorena (Franscisco II da Toscana), casado com Maria Teresa, arquiduquesa da Áustria, como compensação pela perda. Em 1745, a casa dos Habsburgo-Lorena passam a ser da casa de Áustria, sendo eleitos para tomarem posse do Sacro Império Romano em 1747, mantendo, contudo, a região italiana na sua posse. Sucede a Francisco, Leopoldo I (1765 - 1790) que, ao tornar-se imperador, resignará em 1790 a favor do seu filho, Fernando III.
Reino da Etrúria
Os franceses ocuparam a região em 1799, sem grande sucesso: o povo revolta-se e expulsa os estrangeiros. Em Outubro de 1800, com a Batalha de Marengo, os franceses voltam a ocupar o território. Em 1801, Napoleão integra-a no reino da Etrúria, sendo concedida a Luís de Bourbon, descendente do último duque de Parma. Em 1807 é incorporada ao Império Francês, constituindo os três departamentos do Arno, Ombrone e Mediterrâneo. Em 1809, Napoleão nomeia como grã-duquesa a sua irmã, Elisa Baciocchi. Esta é afastada em 18 de Setembro de 1814, com o regresso de Fernando III que restaurara o Grão-Ducado. De novo na mãos dos Habsburgos (Leopoldo II sucederá a Fernando, de 1824 a 1859; e Fernando IV de 1859 a 1860), expandiu-se ainda em 1847 com o Ducado de Luca. Em 1848 ainda houve uma revolução que teve como resultado a instauração da República, em Fevereiro de 1849, sob o triunvirato de Mazzini, Guerazzi e Montanelli. Leopoldo II, então no poder, será reposto no poder com a intervenção da Áustria em Julho do mesmo ano. Em 1859, com a guerra entre o Piemonte e a Áustria, o povo toscano rebela-se e obriga Fernando IV a pedir asilo em Viena, a 27 de Abril de 1859. Em 1860, será assimilada pelo Reino da Sardenha, após um plebiscito.
Foi na Toscana, terra da grande literatura de Dante, Petrarca e Boccaccio, que nasceu o italiano moderno. Pode haver vínculo mais Toscano profundo, dívida mais alta e nobre de uma nação para com uma de suas regiões, do que lhe dever a sua língua comum? Mas é a Europa inteira que está ligada à Toscana e é devedora dela pela sua extraordinária contribuição à cultura européia. Foi na Toscana que nasceu e se desenvolveu, entre os séculos XIV e XVI, a grandiosa época do Humanismo e do Renascimento, movimentos estes que inovaram radicalmente a cultura e a arte daquele tempo, deixando um rastro profundo, indelével, na civilização européia comum. Daquele extraordinário período histórico a Toscana, a começar pela capital, Florença, conserva os maiores testemunhos. Grandes obras de arquitetura civil e religiosa, esculturas e pinturas de extraordinário valor artístico, testemunhos do trabalho criativo de grandes gênios: para citarmos apenas alguns, Leonardo da Vinci, Michelangelo Buonarroti e Filippo Brunelleschi. Mas a Toscana não é só Florença. Há também Siena, com a sua Piazza del Campo, teatro a cada verão do famoso Palio. Na província de Siena (famosa, entre outras coisas, pelos seus grandes vinhos, como o Chianti e o Brunello) despontam Montepulciano e Pienza, jóias extraordinárias da arte renascentista, e San Gimignano, com as suas célebres torres e casas torreadas. Em seguida há Pisa,conhecida no mundo inteiro pela mais do que célebre Torre pendente; Carrara, com seu Duomo revestido do preciosismo mármore que recebe o nome da cidade; e ainda Lucca,Pistóia, Arezzo, Grosseto, Livorno, Prato, que também ostentam igrejas e outros monumentos de grande valor arquitetônico e artístico. São incontáveis as belezas naturais toscanas. Acima de toda a sua paisagem: a típica, única, doce e quente paisagem toscana.
Etruscos
Os Etruscos eram um aglomerado de povos que viveram na Itália na região a sul do rio Arno e a norte do Tibre, então denominada Etrúria e mais ou menos equivalente à atual Toscana, com partes no Lácio e a Úmbria.
Desconhece-se ao certo quando é que os Etruscos se instalaram aí, mas foi provavelmente entre os anos 1200 e 700 a.C.. Nos tempos antigos, o historiador Heródoto pensava que os Etruscos eram originários da Grécia, mas outros escritores posteriores consideram-nos italianos. A sua língua, que utilizava um alfabeto aparentado com o grego, era diferente de todas as outras e ainda não foi decifrada, e a religião era diferente tanto da grega como da romana.
A Etrúria era composta por uma dúzia de cidades-estados (Volterra, Fiesole, Arezzo, Cortona, Perugia, Chiusi, Todi, Orvieto, Veio, Tarquinia, etc.), cidades altamente civilizadas que tiveram grande influência sobre os Romanos. Os últimos três reis de Roma, antes da criação da república em 509 a.C., eram etruscos. Verificaram-se prolongadas lutas entre a Etrúria e Roma, terminando com a vitória desta última nos anos 200 a.C.
A arte etrusca refere-se à arte da antiga civilização da Etrúria localizada na Itália central (atual Toscana) e que teve o seu apogeu artístico entre os século VIII e II a.C..
As origens deste povo, e consequentemente do estilo, remontam aos povos que habitavam a região (ou se deslocaram da Ásia menor) durante a Idade do bronze e Idade do ferro, mas também outras culturas influenciaram a sua arte (por proximidade ou contacto comercial), como a grega, fenícia, egípcia, assíria e a oriental. Mas o seu aparente caráter helenístico simples (visto o seu florescimento coincidir com o período arcaico grego) esconde um estilo único e inovador de características muito próprias que viria a influenciar profundamente a arte romana e pela qual estaria já totalmente absorvido no século I a.C..
Até à atualidade muita da herança etrusca se foi perdendo e as peças e vestígios que hoje se conhecem podem dar apenas uma idéia parcial do que seria em plenitude a arte desta civilização. A maior parte do espólio etrusco advém de escavações arqueológicas em necrópoles (Cerveteri, Tarquinia, Populonia, Orvieto, Vetulonia, Norchia) trazendo à luz acima de tudo peças e construções de caráter religioso relacionadas com o culto funerário.
De um modo geral pode-se afirmar que os artistas etruscos eram artesãos de grande habilidade. Executavam peças (estatuária, vasos, espelhos, caixas, etc) de grande qualidade e mestria em terracota, barro, bronze e metal, desenvolviam também peças de joalharia (em ouro, prata e marfim) e uma cerâmica negra (designada Bucchero).
Arte funerária
Escavações efetuadas em tumbas subterrâneas revelaram urnas de barro (onde se colocavam os restos mortais) com elementos escultóricos representando elementos anatômicos do falecido (p. ex. tampa em forma de cabeça); bustos (que poderão ter estado na origem dos bustos romanos); esculturas e relevos em sarcófagos onde, numa fase posterior, figuras humanas em tamanho real surgem reclinadas sobre a tampa como se de um leito se tratasse (jacente). Mas aqui, em oposição à escultura grega em pedra, a escultura etrusca toma forma em materiais mais brandos que possibilitam uma modulação mais elástica, fluida e arredondada incutindo nas figuras uma natural espontaneidade.
As câmaras funerárias, que retratam o interior de uma habitação, são de tecto em abóbada ou falsa cúpula e são revestidas de pinturas murais (frescos) retratando cenas mitológicas, do quotidiano e rituais funerários de demarcado carácter bi-dimensional, estilizado (formas delineadas a negro), mas de cores vivas e atmosfera jovial. Numa fase posterior, esta atitude de festividade perante a morte sofre alterações, possivelmente pela influência da arte grega do período clássico, e as figuras (onde passam a integrar também os demônios da morte) ganham uma nova atitude pensativa e de incerteza perante o final da vida
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(Escultura etrusca de figura reclinada sobre sarcófago (jacente), 150-120 a.C.)
Arquitetura e urbanismo
Além de uma grande variedade de artes decorativas os etruscos desenvolveram também a construção arquitetônica da qual muito pouco sobreviveu. Modelos à escala permitem ter uma ideia do templo religioso (com base de pedra, estrutura de madeira e revestimento em barro na arquitrave e beirais) que em grande parte se assemelharia ao grego simples, mas sem a sua elegância: pelo lado sul e subindo os degraus do podium ganhava-se acesso a um pórtico com duas filas de quatro colunas cada e consequentemente à cella no seu interior.
Construíram também palácios, edifícios públicos, aquedutos, pontes, esgotos, muralhas defensivas e desenvolveram projetos de urbanismo onde a cidade se articulava a partir de um centro resultado da intersecção das duas vias principais (cardo, sentido norte-sul e decumanos, sentido este-oeste).
Também importante de referir é a utilização do aço de volta-perfeita (semi-círculo) a novas tipologias que não sejam as de caráter puramente utilitário, como já tinha acontecido anteriormente na Mesopotâmia, Egito e naturalmente na Grécia, como em túmulos, outras estruturas subterrâneas ou portas de cidades. Agora, pela primeira vez, o arco surge inserido no vocabulário das ordens arquitetônicas gregas.
Linha temporal
800-650 a.C.: cunho oriental.
650-500 a.C.: influência jônica e coríntia.
500-300 a.C.: apogeu; demarcada influência grega.
300-100 a.C.: fase tardia; absorção romana.
A região possivelmente mais visitada, extraordinariamente rica em obras de arte de todas as épocas, ainda guarda lugares de rara beleza, desconhecidos para a maioria.
O território desta região é em grande parte formado por doces colinas arredondadas, encimadas por ciprestes, com campos bem cultivados, casario de bela arquitetura e extraordinárias paisagens. Ao norte, surge a cadeia dos Apeninos; a oeste, seu litoral é banhado pelo Mar Tirreno; ao passo que a parte meridional está separada só administrativamente do Alto Lácio, tanto a ser também chamada de Túscia lacial, ou Lácio etrusco. Seu único rio de importância, o rio Arno, corre em meandros desde a nascente rumo ao sul, perto de Arezzo, voltando-se depois para o norte até Florença, e então para oeste.
Perfeitamente integrados com este meio surgem os centros habitados, cujas silhuetas freqüentemente entrecortam o topo das colinas, caracterizando um ambiente, construído pela mão do homem, tão extraordinário quanto o natural: e que tanto nos centros maiores como nos menores, foi o cenário que inspirou toda a atividade artística que floresceu na região, e que é hoje igualmente célebre.
Já no Século XI a.C., a Toscana foi unificada pelo Etruscos, povo até hoje pouco conhecido, que ocupava também parte da vizinha Úmbria e o Lácio setentrional. Muitas foram as cidades por eles fundadas, sempre nos cumes, mas poucos são os restos arqueológicos, também por causa das sucessívas reconstruções; ao passo que nos chegaram intactas numerosas necrópoles. São cidades de origem etrusca: Arezzo, Cortona, Chiusi, Volterra e Fiesole, no interior; e, na costa, outras depois decaídas e desaparecidas (Populonia, Vetulonia, Roselle).
Os Romanos, que conquistaram a região entre os Séculos IV e III a.C., ali construiram uma extensa rede viária, que incluía as vias Aurélia, Cássia e Flamínia, mantendo em vida os centros etruscos. Também aqui são escassos os restos arqueológicos: as plantas urbanas e os anfiteatros - hoje ocupados por moradias - de Florença e Lucca;o anfiteatro de Volterra; além de alguns vestígios em Arezzo e Luni. As cidades de origem romana estão concentradas na parte setentrional, com o objetivo estratégico de controlar os passos dos Apeninos e os vaus dos rios.
Após as invasões dos Bárbaros (Séc. V d.C.), a região foi, primeiro, ducado longobardo e, depois, dos francos (de 774), com capital Lucca. Por volta de 1100, a Toscana pertencia à família de Canossa, juntamente com parte da Úmbria e os territórios de Reggio E., Modena, Mantova e Ferrara, sendo mais tarde anexada ao Reino da Itália.
Desenvolveram-se assim as autonomias comunais tanto que, no início do Séc. XIV, a região estava dividída em muitas pequenas senhorías (Lucca, Pisa, Volterra, Massa, Sovana, Chiusi, Cortona...), entre as quais logo sobressaiu Florença, que em cerca de um século unificou novamente a Toscana, com exeção de Lucca - que permaneceu sempre independente -, e Siena - depois encampada no Séc. XVI.
Em Florença, no final de 1300, o governo mudou de comunal para oligárquico, para passar depois sob a senhoría dos Médici que, com brevíssimas interrupções, mantiveram-se no poder por mais de três séculos, de 1430 a 1737: período em que coexistiram despotismo e mecenato, crueldade e capacidade de reformas, mas que foi todavia um dos mais ricos no florescimento das artes.
Aos Médici, sucedeu a senhoría dos Lorena, que promoveram reformas e grandes obras de saneamento, até quando, com a Unificação, tiveram que abandonar a Toscana, que em 1860 foi anexada ao Reino da Itália.
Na Idade Média (Séc. XI - início do XV), o território da Toscana tomou seu aspecto urbanístico atual. A atormentada orografía e as vicissitudes políticas contribuiram para o surgimento de um padrão de ocupação territorial composto por muitos pequenos centros nas colinas, ao passo que as principais cidades desenvolveram-se ao longo dos rios, ou no litoral. Ademais, todo o território estava pontilhado por fortalezas e castelos. Nesta região, encontram-se assim representadas todas as tipologias de cidade medieval: dos centros em forma de lança (Chianciano, Sarteano), àqueles deitados ao longo de cumes (Fosdinovo, Montopoli, Colle Val d' Elsa); dos com planta circular (Gargonza), àqueles espalhados por mais cumes (S. Gimignano).
Numerosos são também os centros de nova fundação pelas principais cidades, como postos avançados de defesa. Assim, de Siena dependiam Torrita e Rigomagno, com planta regular; à Pisa, pertenciam Cascina, Scrofiano, Monteriggioni, S. Gimignano; enquanto à Florença devem-se Castiglion Fiorentino, Scarperia, bem como três centros projetados sob especiais regras de desenho por Arnolfo di Cambio (1296-1299): S. Giovanni Valdarno, Terranuova Bracciolini e Castelfranco di Sopra.
Muitos são os centros com urbanística complexa, com núcleos alto-medievais sobrepostos a ampliações posteriores (Lucignano, Monte S. Savino), ou com modelos ainda mais articulados.
Alguns centros têm até uma planta alegórica, come Montecarlo, cuja muralha projeta o desenho de uma águia agarrando sua presa. Muitas outras são as figuras simbólicas que podem ser detectadas em plantas de povoados, ou em partes delas: baste pensar na posição dos edifícios na praça dos Milagres em Pisa, talvez inspirada no moto das estrelas na constelação de Áries, sob cujo influxo estava posta a cidade; ou, ainda, pelo afã das ordens religiosas em posicionar suas igrejas nos vértices de ideais triângulos equiláteros.
A feitura de todos os povoados é sempre primorosa, voltada para o uso comunitário, de grande qualidade. Os típos de edificação são os mais variados e complexos, como longo foi o intervalo de tempo em que se originaram, do período românico ao gótico.Temos assim simples casas de habitação, grandes palácios, casas-torres (como em S. Gimignano, Pisa, Vicopisano), em pedra e cal (Volterra), rebocadas (Pescia ou Barga), de tijolos (Città della Pieve). Sempre muito cuidadas são as áreas públicas: das esplêndidas pavimentações desenhadas, em terracota ou cerâmica aos assentos espalhados ao longo dos palácios, aos ganchos para prender cavalos, tochas, flores, ao projeto das escadarias. Qualidade que permaneceu no tempo e que permitiu também às construções posteriores integrar-se com facilidade, mormente os magníficos palácios (como em Cittá della Pieve, Montepulciano, S. Miniato).
Obviamente, todas elas eram cidades fortificadas, às vezes por mais anteparos, e freqüentemente presidiadas por torres e castelos.
Cada centro autônomo era de fato uma pequena capital, com ampla dotação de espaços públicos. As praças estão entre as mais belas e marcantes da Itália - baste lembrar as de Montepulciano, Massa Marittima, S. Gimignano, Volterra, Sovana; ou aquelas de centros mais importantes como Siena, Florença, Lucca. Por sua vez, os palácios comunais são um capítulo à parte da história da arquitetura medieval: baste lembrar aquele modelar de Siena - com a inovação da fachada em curva acompanhando o arco da praça do Pálio -, ou os de Volterra, Suvereto, Montalcino; ou, ainda, aqueles ornados por brasões de armas (conforme um uso característico da Toscana), de Certaldo, Pescia, Scarperia, Cutigliano.
Imponentes são outrossim as catedrais, muitas vezes pensadas para acolher ao mesmo tempo todo o povoado, como em Florença, Pistoia, Siena, Massa Marittima.Com o fim da Idade Média, o desenvolvimento restringiu-se mais às grandes cidades e ao litoral, preservando assim muitos destes centros, que nos legaram os mais significativos ambientes românicos e góticos: os mundialmente famosos S. Gimignano, S. Miniato, Cortona -, e outros menos conhecidos, mas também extraordinários, como, só para lembrar alguns, Massa M., Certaldo Alta, Abbadia S. Salvatore, Pitigliano.
Mas a lista de centros medievais que valem uma visita é muito mais extensa: além dos já citados, é mister percorrer os itinerários desde a Alta Val d' Arno (Stia, Poppi, Bibbiena), à opulenta Valdichiana, ao importantissimo histórico percurso da via Francígena, ligando Roma aos Alpes através de Pontremoli, S. Gimignano, etc.; não descuidando também de centros menores, como Aulla, Campiglia, Sarteano, Vetulonia.
Na Toscana, mais que em outros lugares, esteve de fato sempre presente uma profunda sensibilidade para a arquitetura, que redundou na melhor preservação de tão rico patrimônio, e que finca suas raízes na mesma cultura que deu origem à língua italiana e propiciou o florescimento de tantas correntes artísticas, não obstante a estreiteza do meio.
Após a efervescência da Idade Média, os empreendimentos urbanísticos foram cada vez mais rareando, pois a consolidada unidade do estado não mais impelia a fundação de novas cidades, nem a expansão das existentes.
Por outro lado, com o início de 1500 , ia se esgotando o papel de Florença como centro de atividade artística, substituída por Roma que, com o retorno do Papado de Avignon, estava para assumir o papel e a fama de capital do mundo católico, para onde o mecenato dos Papas, das ordens religiosas e da nobreza passaram a atrair artistas de toda a Itália.
Assim, as idéias urbanísticas escassearam, limitando-se ao rearranjo de partes de cidades conforme os novos cânones da Renascença; à fortificação das cidades marítimas - em virtude da costa ter se transformado na nova fronteira do estado unitário - ; e à uma série de obras de saneamento do território. Desta forma, em Florença abre-se (Séc. XV) a via de' Servi, levando à praça da SS. Annunziata, obra de Brunelleschi, e erigem-se os Uffizi, com a estrada-praça de Vasari (Séc.XVI); ao passo que, em Pienza, o papa Pio II Piccolomini manda redesenhar a vila e a praça principal por Rossellino (Séc. XV).
Em meados de 1500, iniciam-se as grandes obras de fortificação de Portoferraio e, pouco depois (1577), Buontalenti projeta a planta de Livorno, com a nova muralha.
Neste meio tempo, como em outras regiões da Itália, o campo enche-se de suntuosas mansões: após as suburbanas dos Médici, as mais importantes, com parques e jardins de extraordinária beleza, passam a ser aquelas na região de Lucca (em Collodi, Camigliano, Segromigno).
Os últimos desenvolvimentos de interesse são as reformas do Oitocentos, por obra de projetistas-solo, como Poggi em Florença (piazza Michelangelo), Poccianti em Livorno, e Nottolini em Lucca.
As termas e balneários tão comuns na Toscana são ao invês iniciativas neoclássicas (Bagni di Lucca), ou do ecletismo (Montecatini e Viareggio, onde subsistem também edifícios em estilo liberty); enquanto, entre as iniciativas contemporâneas, um moderno enclave turístico foi construido em Punta Ala.
Economia regional
A Toscana tem o turismo como uma das principais bases de sua economia. Firenze é uma das mais famosas e visitadas cidades do mundo. A agricultura e a indústria também ajudam a sustentar a região. Algumas culturas especializadas, como a de flores, substituem cada vez mais as de produtos tradicionais.As atividades industriais mais difundidas na região estão ligadas aos setores químico, mecânico e têxtil.
As condições físicas da região também permitiram o desenvolvimento de outras atividades. O subsolo toscano apresenta uma riqueza mineral muito grande. A ilha de Elba e todo o arquipélago da região, um dos maiores parques marinhos de toda a Europa, possuem alto nível de ferro, devidamente explorado.
Seguindo o exemplo de diversas cidades ao longo da Itália, Pisa adotou uma fórmula de sucesso. Ligou a atividade acadêmica ao desenvolvimento de novas tecnologias. É notável o instituto de ciência e tecnologia do Centro Nacional de Pesquisa.
Foi na Toscana, terra da grande literatura de Dante, Petrarca e Boccaccio, que nasceu o italiano moderno. Pode haver vínculo mais profundo, dívida mais alta e nobre de uma nação para com uma de suas regiões, do que lhe dever a sua língua comum? Mas é a Europa inteira que está ligada à Toscana e é devedora dela pela sua extraordinária contribuição à cultura.